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Por: José Benedito Medeiros

18-10-2025

Cena romântica

Num cálido rio refletindo sua imagem

Tua face morena contrastava com a cristalina água.

O teu corpo repousado na grama,

As tuas belas mãos moldando os cabelos negros,

A natureza devolvia suave brisa pela tua presença.

Eu te espiava escondido e extasiado.

apaixonado, como um romântico podia ser,

como um daqueles que sofrem tormentos por amor

E morre na praia por não ser correspondido


Seus encantos, porém, são propositais,

pois finges muito mal não me ver.

como aquelas donzelas puras e idealizadas.

inocentes de sua beleza, de sua graça.

No entanto, você conhece muito bem o jogo da paixão.

e o joga como ninguém, com pleno domínio.

E eu, como um péssimo jogador, estou sempre em desvantagem.

rapidamente desliso na jogada e entrego o jogo.

mas a situação não é de toda má,

ainda que por breve tempo,

estarei com minha cabeça pousada no seu perfumado colo,

e as delícias dos teus beijos serão meu prêmio de consolação.




Por: José Benedito Medeiros

18-10-2025

Aos anjos que partem


A menina caminha pela estrada de chão

Seu vestidinho azul céu cai lhe no seu delicado corpo de vela

Tem no semblante um sorriso triste.

Os olhos grandes, abismal, procuram no horizonte

A cantiga de ninar,  as mãos de pluma, a voz

Do anjo maternal que um dia partiu.

A menina tem sonhos de infância,

Apesar de ainda criança.

A menina desejaria ser como outras crianças.

O mundo é um gigante que  mete medo.

Ela… tão pequena, tão minúscula.

Desconhece  a crueldade dos homens.

Vida e morte convivem perigosamente

No seu restrito Jardim de aparente paz.

Aí meu Deus, como desejaria,

Que os mares de lágrimas derramadas

Pelas mães

Fossem apenas de orgulho 

E não de doído sofrimento.


04/10/19